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Zero egress: por que sua fatura de cloud explode com tráfego

Egress é o billing-surpresa de cloud: zero dólar pra entrar, nove centavos por GB pra sair. Veja como dimensionar custo real e por que zero egress mudou o jogo.

Equipe Upuai · Upuai Cloud 10 min de leitura

Você lançou um app que faz exports de PDF pesados. Funcionou. Em 6 meses, viraram 5 mil usuários. Cada um exporta dois PDFs de 5 MB por dia, em média.

5.000 × 2 × 5 MB × 30 = 1,5 TB por mês.

Na sua cabeça, custo de storage é nada — você paga US$ 0,023/GB no S3. Mais ou menos US$ 35 por mês de armazenamento. Tranquilo.

Aí chega a fatura: US$ 200, US$ 350, US$ 500. Você confere — storage continua sendo US$ 35. O resto é egress. “Data Transfer Out”, US$ 0,09/GB. Os 1,5 TB que saíram custaram US$ 135 só de bandwidth.

Bem-vindo à fatura que ninguém te conta antes de você crescer.

Esse post é sobre como egress virou o billing-surpresa mais comum de cloud em 2026, de onde veio essa cobrança, quais providers fugiram dela, e por que a Upuai foi pelo modelo zero-egress + zero-per-operation desde o dia 1.

A pegadinha que aparece com 100k MAU

Pesquise “AWS bill shock” no Twitter ou no Hacker News. A história é sempre parecida:

“Eu acordei com US$ 4.500 de fatura AWS. Era pra ser uns US$ 50. Era egress de imagens que eu não tinha posto em CDN.”

“Vercel cobrou US$ 6.000 de bandwidth de um único vídeo que viralizou no Twitter.”

“CloudFront me cobrou US$ 12.000 porque um cliente baixou os mesmos arquivos 1.000 vezes via API.”

Ninguém calcula egress no MVP porque, no MVP, egress é zero. Você tem 100 usuários, eles consomem 10 MB cada — são 1 GB/mês, dentro da franquia free de qualquer cloud.

Depois você cresce. 1k usuários, 100k usuários. Cada um consome um pouco mais. O egress acumula. A primeira fatura “surpresa” geralmente aparece entre 50k-200k MAU, dependendo do tipo de app.

A engineer típica pensa em custo como “compute + storage + database”. Egress não entra na conta mental — mas é o item que mais cresce não-linearmente com o tráfego.

A história do data transfer pricing

Pra entender por que existe cobrança de egress, vale entender a origem técnica. Não é arbitrário — tem lógica histórica.

Era 1: backbone Internet (anos 90). Provedores de backbone (UUNET, Sprint, MCI) negociavam acordos de “peering” entre si. Empresas com bandwidth equivalente trocavam tráfego de graça (settlement-free peering). Empresas pequenas pagavam pra empresas grandes (transit). Esse foi o modelo original — bandwidth tinha custo real, porque cabos físicos custam dinheiro.

Era 2: cloud emergente (anos 2000). Quando AWS lançou EC2 em 2006 e S3 em 2007, o modelo de transit ainda era esse. AWS pagava aos provedores de backbone pra escoar o tráfego. Naturalmente, repassou o custo ao cliente. Egress virou cobrado.

Era 3: cloud madura (anos 2010-2020). Os hyperscalers ficaram tão grandes que entraram em settlement-free peering com a maioria dos backbones. O custo marginal real de egress despencou. Mas a cobrança permaneceu — porque virou linha de receita importante, e ninguém quer voluntariamente abrir mão de revenue.

Era 4: o questionamento (anos 2020+). Cloudflare publicou em 2021 um post chamado “AWS’s Egregious Egress” mostrando que o custo real de bandwidth pra hyperscalers é menos de 1/10 do que cobram. Em 2022, Cloudflare lançou R2 (storage S3-compatible com zero egress). Backblaze B2 e Wasabi já vinham com modelo similar. Começou a era do questionamento público.

A cobrança de egress hoje é majoritariamente rent-seeking. É uma cobrança histórica que perdeu vínculo com o custo real, mas continua porque já está dentro do modelo de negócio das grandes.

Cálculo real: quanto egress um SaaS típico consome

Vamos fazer a conta pra três perfis comuns:

Perfil 1: SaaS B2B com dashboards

  • 10.000 MAU
  • Cada usuário acessa o dashboard 5× por dia útil
  • Cada carregamento puxa ~500 KB (HTML + JS + assets static + 2 API calls)
  • 22 dias úteis/mês

10.000 × 5 × 22 × 500 KB = 550 GB/mês

Custo no S3/CloudFront: ~US$ 49/mês só de egress. Sem incluir compute ou storage.

Perfil 2: App de conteúdo (notícias, blog, vídeos)

  • 50.000 MAU
  • Média de 8 pageviews/usuário/mês
  • Cada pageview: 1,5 MB (com vídeo curto autoplay)

50.000 × 8 × 1,5 MB = 600 GB/mês

Custo: ~US$ 54/mês. Mas se viralizar um vídeo, picos de 5-10 TB num mês acontecem.

Perfil 3: SaaS com exports/downloads pesados

  • 5.000 MAU
  • 30% deles geram export pelo menos 1× por mês
  • Export médio: 50 MB (CSV grande, ou PDF com imagens, ou backup)

5.000 × 0,30 × 50 MB = 75 GB/mês — fácil. Mas:

  • 10% dos usuários exporta semanalmente: +750 GB/mês
  • Picos de “exportei tudo pra migrar” puxam +500 GB/usuário ocasional

Total realista: 1,5-3 TB/mês. Custo: US$ 135-270/mês.

A regra geral: egress típico fica entre 10× e 50× o storage. Você guarda 50 GB de arquivos, mas serve 1-3 TB por mês deles.

A revolução do zero-egress

Cinco players desafiaram o modelo dos hyperscalers nos últimos cinco anos:

Backblaze B2 (lançou 2015, foi o primeiro): US$ 0,005/GB/mês de storage e US$ 0,01/GB de egress (depois ficou grátis até 3× o storage por mês). Pioneiros do “cobramos só o que custa de verdade”.

Wasabi (lançou 2017): zero egress, zero per-operation cost. Modelo de pricing flat: US$ 6,99/TB/mês. Marketing forte como “anti-AWS”.

Cloudflare R2 (lançou 2022): zero egress total. S3-compatible API. Custo de storage parecido com S3 (~US$ 15/TB/mês), mas sem o disparate de US$ 90/TB de egress.

iDrive E2 (lançou 2023): similar Wasabi, com modelo de planos.

Upuai (Brasil, lançamento 2025): zero egress + zero per-operation. Storage incluso no plano. Modelo brasileiro.

A revolução foi mostrar que cobrar egress não tinha justificativa técnica defensável — era escolha de modelo de negócio. Cada novo entrante validou o ponto.

Egress + cross-region: a conta dobrada

Aqui mora outra pegadinha que muita gente esquece. Em cloud público:

  • Egress pra Internet: US$ 0,09/GB
  • Egress cross-region (entre us-east-1 e sa-east-1, por exemplo): US$ 0,02/GB
  • Egress cross-AZ (dentro da mesma região): US$ 0,01/GB

Se você tem app multi-region active-active na AWS — frontend em São Paulo, backend processing em us-east-1 (porque tem features lá) — todo o tráfego entre os dois paga egress cross-region.

Pra um app típico com 100 GB/dia de tráfego inter-region, são US$ 60/mês escondidos só nisso. Em escala maior, milhares de dólares.

Em PaaS bare-metal-própria single-region (como Upuai), esse problema desaparece porque não há cross-region — tudo roda no mesmo datacenter.

Como dimensionar antes de migrar

Pra você medir seu egress real hoje (em qualquer cloud):

AWS:

  1. Console → Billing → Cost Explorer
  2. Group by “Usage Type”
  3. Procure por linhas com “DataTransfer-Out” ou “BoxUsage”
  4. Olhe o histórico dos últimos 6 meses

Vercel:

  1. Dashboard → Usage
  2. Aba “Bandwidth”
  3. Veja o GB/mês usado vs incluso no seu plano

Cloudflare:

  1. Dashboard → Account → Plans
  2. Verifique se você está em Free/Pro/Business — bandwidth no Cloudflare CDN é grátis até planos altos
  3. R2 storage tem dashboard próprio com métricas

Métricas-chave pra anotar:

  • P95 bandwidth/dia (não a média — picos importam)
  • Cache hit ratio (se está alto, CDN está te salvando)
  • Egress por endpoint (se um endpoint específico domina, dá pra otimizar)

Depois disso, projete pros próximos 12 meses. Se você cresceu 10× em usuário no último ano e está em trajetória similar, multiplique egress por 10×. Veja o impacto na fatura.

Zero-egress + zero-per-operation: a diferença Upuai

Além do egress, hyperscalers cobram por operação:

  • S3 PUT/POST: US$ 0,005 por 1.000 requests
  • S3 GET: US$ 0,0004 por 1.000 requests
  • S3 LIST: US$ 0,005 por 1.000 requests

Pra app que faz muito IO no storage (ex: upload de imagens com thumbnail generation, ou backup contínuo), isso vira linha relevante. Um app que faz 10 milhões de operações/mês paga US$ 5-50 só nisso.

A Upuai zera os dois custos: storage S3-compatible com zero egress e zero per-operation. Você paga pelo storage usado (incluso até a quota do plano), e ponto. Sem custo de bandwidth, sem custo por GET/PUT.

Isso significa:

  • Custo previsível: você consegue projetar o custo com 0% de variância
  • Sem incentivo perverso: você não precisa “economizar requisições”, arquiteturar workarounds, evitar features que fazem IO frequente
  • Sem fatura-surpresa: viralizou? Black Friday? Quota cheia: simplesmente para de processar; quota disponível: custo zero adicional

Comparativo lado a lado

Provider Storage (US$/GB/mês) Egress (US$/GB) Per-operation Modelo
AWS S3 Standard ~0,023 0,09 (após franquia) Cobrado Tradicional
AWS CloudFront (CDN) - 0,085 (BR) Cobrado CDN com egress alto
Vercel Bandwidth Incluso no plano US$ 40/100GB extra - Quota com overage
Cloudflare R2 ~0,015 Zero Cobrado Zero egress
Backblaze B2 ~0,006 Zero (até 3× storage) Cobrado Zero egress condicional
Upuai Storage Incluso no plano Zero Zero Tudo incluso + BRL

Preços em USD baseados em informação pública dos providers em maio de 2026. Verifique sempre as condições vigentes. Upuai é BRL nativo — sem IOF, sem câmbio.

Perguntas frequentes

Se egress é zero na Upuai, o custo está embutido em outro lugar? Está embutido na arquitetura. Upuai opera bare metal próprio em datacenter brasileiro com link de trânsito próprio. Bandwidth não é cobrado por GB; é cobrado por capacidade reservada na infra. Como a maioria dos clientes não esgota a capacidade, conseguimos absorver o custo sem repassar por GB. (Detalhamos isso em Bare metal próprio vs cloud terceirizada.)

E se eu tiver caso extremo, tipo 100 TB/mês de egress? Planos têm quota de bandwidth declarada (varia por tier). Pra workloads extremos (TB/dia consistentemente), plano Business ou Enterprise tem capacidade pra isso. Pra workloads muito acima de Enterprise (vídeo streaming em escala global), provavelmente vale combinar Upuai + CDN especializado.

Vale a pena migrar storage pra Upuai só pelo zero egress? Faça a conta. Se seu egress mensal × 12 + custo de operações > custo de migração + custo do plano Upuai, sim. Pra perfil típico (1-3 TB/mês), a migração paga em 2-4 meses só pelo delta de bandwidth.

Cloudflare R2 também é zero egress. Por que não R2? R2 é excelente — recomendamos pra quem opera multi-cloud ou tem dependência forte de Cloudflare. Diferença com Upuai: R2 cobra por operação (PUT/GET), Upuai zera os dois. R2 cobra storage em USD, Upuai em BRL. R2 é storage standalone; Upuai integra storage + compute + database no mesmo provider, com mesmo suporte.

O que acontece quando atinjo a quota do plano? Notificação por email + dashboard. Você pode subir de plano em 1 clique, ou pagar overage com preço pré-acordado (sem multiplicar 10× a fatura).


Egress é uma das várias armadilhas de billing escondidas em cloud. Pra ver outras, leia Cloud no Brasil custa 78% a mais e Vercel, Railway, Heroku ou Upuai? Qual PaaS escolher em 2026.

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